A última nota ecoa. Desaparece no ar como fumaça quente. E por um segundo, tudo para.
O mundo não gira. O corpo não reage. Só a alma lateja — como se estivesse perguntando: e agora?
Depois do último acorde, não sobra trilha. Sobra vazio. Sobra eco. Sobra você.
É o momento em que você encara o que ficou. A peira das emoções. Os rastros da melodia. A memória da dança.
E o mais bonito é que, às vezes, esse silêncio fala mais do que a música inteira. Porque depois do fim, você entende o que ela causou. Você entende que foi atravessado. Você entende que algo mudou.
Você não é mais o mesmo que apertou o play. Não é mais aquele que entrou na pista. Não é mais quem escreveu o primeiro verso.
Você dançou, gritou, chorou, improvisou, silenciou. E agora… você é a própria canção.
O que fazer depois do último acorde? Talvez nada. Talvez apenas respirar e deixar que ele se dissolva no corpo. Ou talvez… preparar o coração para o próximo som.
Porque sempre tem um próximo som. É o que a vida faz: toca uma música até o fim, nos deixa no escuro, e, quando menos esperamos… vem uma batida nova. Um acorde desconhecido. Um convite para dançar outra vez.
Porque enquanto houver som, enquanto houver silêncio, enquanto houver um corpo disposto a sentir —
É Festa.
— Gusmorelife
Este texto faz parte de Entre Acordes e Abismos: O Livro-Sonho — Seção 4: O Fim Que É Começo.
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