Estava assim até ontem.
Sem ligações.
Sem mensagens.
Sem aquele mínimo que, em outros tempos, eu ainda tentava justificar.
E talvez o mais estranho seja perceber que isso não começou ontem. Foi assim durante boa parte desse último um ano e meio. Um silêncio longo demais para ser acaso. Um silêncio repetido demais para ser distração.
Nesse tempo, eu aprendi e reaprendi muita coisa.
Aprendi sobre ausência.
Sobre respeito.
Sobre as faces que aparecem quando você para de insistir.
Sobre o quanto algumas pessoas só entendem sua presença quando ela serve, mas não sabem cuidar dela quando ela sente.
Tive várias conclusões.
Entre ser usado, mal interpretado, diminuído ou colocado sempre no lugar errado da história, chega uma hora em que a explicação cansa. A defesa cansa. A tentativa de mostrar que você também tem coração cansa.
Porque, no fim, parece que tanto faz.
Você pode sentir muito.
Pode tentar muito.
Pode se explicar com cuidado.
Pode respeitar o espaço, o tempo, o caos do outro.
Mas quando ninguém realmente quer entender, tudo vira excesso.
E talvez a parte mais dura não seja o silêncio em si.
É perceber que, por muito tempo, eu fiquei esperando humanidade de lugares que só me devolveram conveniência.
No final, ninguém liga do jeito que diz ligar.
E eu estou cansado de fingir que isso não ensina nada.
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