Antes de me entregar, eu precisei perceber onde a minha entrega ainda era verdade e onde já era abandono de mim.

Precisei entender que presença não se implora, clareza não deveria humilhar e sentimento não precisa pedir desculpa por existir.

Talvez eu continue sentindo muito. Talvez eu continue me perguntando demais. Talvez eu ainda tropece na esperança de que alguém saiba chegar com cuidado.

Mas agora existe uma diferença: eu não quero mais caber no silêncio de quem não sabe falar. Não quero diminuir a minha profundidade só para parecer leve diante de quem confunde leveza com fuga.

Se um dia eu me entregar, que seja por escolha. Que seja com presença. Que seja diante de alguém que não transforme o meu sentir em excesso, nem a minha verdade em peso.

E se eu ainda guardar partes minhas, que não seja por medo de viver, mas por respeito ao que existe em mim.

— gusr.w

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