Nem tudo que eu sinto nasceu pra ser dito.
Me olho no espelho da mente, quando só. Analiso cada linha falada, cada atitude vivida. Presente, futuro, de volta ao presente. Tento sobreviver a egoísmos alheios, misturados a orgulho e pouco caso.
E no meio disso, eu entendo.
Pudor não é timidez. Não é fraqueza. É um tipo raro de força silenciosa. É o que me faz guardar certas partes de mim mesmo quando tudo ao redor incentiva a expor.
Num mundo que grita, o pudor sussurra: nem tudo precisa ser visto.
É estranho… porque hoje parece que valor virou vitrine. Sentimento virou status. Dor virou conteúdo. E quem preserva, quem segura, quem escolhe não mostrar tudo… às vezes parece deslocado.
Mas não é.
Não é sobre esconder quem eu sou. É sobre não me entregar inteiro pra quem não sabe o peso de me carregar.
Porque quando tudo é acessível, nada é realmente especial.
E no fim… pudor não é se fechar pro mundo. É só saber que existem partes minhas que não nasceram pra plateia.
— gusr.w
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