A química das notas que ecoam, sentimentos que compõem o individual, experiência que reluta para mostrar uma expectativa que só o interno enxerga.

Catapimbas! Escorre sentimentos para todos os lados — as paredes estão rachando, cadê a silver tape? Cadê o reboco? Mexe logo essa porra, mas para aí, eu que tenho que mexer, estou inventando metáforas para ver se os olhos de quem lê enxerga — mas vai enxergar o quê? Que sentimentos são esses que escorrem pelas paredes? Que parede é essa?

Paro. Você também para de ler. O que adianta? Como é que essas palavras vão ultrapassar essa parede chamada tela, papel, quadro negro? O que é realmente entender?

As notas continuam a tocar. Como vou explicar tal dádiva? Você sente o arrepio? A vibração no corpo? O que te passa na cabeça — são flashbacks? Isso já está virando um interrogatório do ser que escreve, meu eu, relendo cada imagem como uma palavra.

Quantos quadros lindos apareceram aqui nesse texto que mais parece uma cachoeira de Van Gogh, cada espirrada vira um Jackson Pollock de tão agressivo que está ficando. Interrogações derretem. Percepções tão vazias, sinto ecoando quando tentando interpretar — pois não vai ser a mesma face da moeda todas as vezes que espero transmitir algo tão grande.

Volta para a premissa de um som que escutamos. Aquele mesmo que parece um orgasmo que não tem sentido, igual à vida que cheia de coisas até hoje não entendemos. Jazz decorrido de um ato criminoso — poderia até chamar CSI: Jazz. Como vamos descobrir as pistas, Sherlock? Indignado de achar a fórmula certa, a receita secreta de interpretar sentimentos tão abstratos.

— Gusmorelife


Este texto faz parte de Entre Acordes e Abismos: O Livro-Sonho — Seção 1: A Dança do Sentir.

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