Você acha que escuta com o ouvido.

Mas a verdade é outra: você escuta com o corpo inteiro.

A música não entra só pela audição — ela escorre pela pele, infiltra nas veias, invade os ossos como se cada nota fosse feita de alguma substância que atravessa carne e tempo.

Já reparou como é que o som toca antes mesmo de você entender?

É o grave que balança tua caixa torácica.
É o agudo que arranha tua espinha.
É o médio que acaricia tuas entranhas, feito memória que voltou disfarçada de harmonia.

O corpo ouve — e responde. Responde com o pé que bate sozinho. Com a mão que tamborila sem perceber. Com os olhos que enchem d’água no segundo refrão.

E quando você sente aquele arrepio? Não é só pele. É alma dizendo: isso é real.

E nem sempre é bonita essa realidade. Às vezes ela dói, como uma música que te lembra alguém que já foi embora. Mas mesmo assim… você dá play. Porque teu corpo precisa sentir.

A música é o único idioma que o corpo entende sem tradução.

E tem dias que tudo em você vira instrumento.

A pele é tambor.
A lágrima é slide de guitarra.
A respiração vira ritmo.
E o coração… bom, o coração é aquela bateria que nunca para.

A música mora no corpo. E o corpo… é o primeiro instrumento da alma.

— Gusmorelife


Este texto faz parte de Entre Acordes e Abismos: O Livro-Sonho — Seção 1: A Dança do Sentir.

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