Será que um dia posso gostar… sem medir, sem travar, sem ensaiar o sentimento antes de sentir?
Será que um dia eu deixo a curiosidade correr solta, sem essa necessidade de controlar o final de algo que ainda nem começou?
Será que um dia eu me permito de verdade… não pela metade, não com um pé dentro e outro pronto pra fugir?
Porque no fundo… não é sobre gostar. Eu sei gostar. Eu sinto demais até.
O que me atravessa é outra coisa: é o medo silencioso de me perder no meio disso tudo de novo. É querer viver o presente, mas carregar nas costas todas as vezes em que o presente virou ausência. É querer a descoberta, mas lembrar que nem toda descoberta é bonita. É desejar a luta, os desafios, o meio… mas saber que, às vezes, o meio é onde a gente mais se machuca.
E ainda assim… tem algo em mim que insiste.
Talvez não seja sobre parar de sentir medo. Talvez seja sobre não deixar que ele decida por mim. Talvez se permitir não seja se jogar sem pensar, mas também não seja se proteger tanto a ponto de nunca viver.
Então, se um dia eu gostar… que seja inteiro, mas sem me abandonar. Se eu me permitir… que seja com presença, não com expectativa. E se doer… que pelo menos tenha sido real.
Porque no fim, o que eu quero mesmo… não é garantia. É viver algo que faça sentido enquanto acontece.
— gusr.w
Leave a comment