Hoje foi um daqueles dias em que o tempo não passou… arrastou. Passei horas tentando me distrair, mas tudo voltava para o mesmo lugar. Perguntas sem resposta, cenas sem conclusão, sentimentos que não encontraram espaço do outro lado.
Passei o dia entre lágrimas e silêncio, tentando entender em que momento tudo se perdeu… ou se, na verdade, nunca esteve tão firme quanto eu senti.
Fiquei me perguntando: quando foi que se tornou normal desaparecer sem dizer nada? Quando foi que clareza virou cobrança? Quando foi que sentir virou exagero?
Por que começar algo que não se tem coragem de sustentar? Por que criar conexão se a intenção é fugir no primeiro desconforto? E em que momento o respeito deixou de ser o mínimo?
Talvez o que mais machuca não seja o fim… mas a ausência dele. A falta de uma palavra, de um ponto final, de um mínimo de consideração por quem ficou tentando entender.
Dizem que o silêncio comunica… mas esqueceram de avisar que, muitas vezes, ele só confunde, machuca e deixa perguntas abertas ecoando na cabeça de quem ainda sente.
Eu não preciso de respostas perfeitas. Não preciso de alguém que nunca erre. Mas preciso de verdade. De presença. De alguém que tenha coragem de sustentar o que começou.
Porque desaparecer nunca foi leveza. É só uma forma confortável de evitar responsabilidade emocional.
E o que isso faz comigo?
Me sinto descartável, como se tudo que foi vivido coubesse num gesto de ignorar.
Me sinto confuso, tentando entender se foi real ou só algo conveniente no momento.
Me sinto pequeno, como se pedir o básico fosse pedir demais.
Me sinto desrespeitado, porque o silêncio veio onde deveria existir consideração.
Me sinto preso, revivendo cenas que não tiveram um fim claro.
Me sinto exposto, por ter sido verdadeiro num espaço onde a verdade não foi sustentada.
Mas talvez o erro não esteja em sentir demais. Talvez esteja em aceitar de menos.
Eu não vou aprender a ser indiferente só pra caber no raso de alguém. Prefiro carregar o peso de sentir do que a leveza vazia de não ser nada.
Se for pra ficar, que seja com verdade. Se for pra ir, que tenha coragem de dizer.
Porque no fim… o silêncio pode até falar. Mas a ausência grita.
— gusr.w
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