Tem músicas que a gente escuta com a garganta fechada.
Porque parecem trilha de uma história que nunca chegou a ser contada. De um amor que não teve tempo. Ou coragem. Ou espaço.
É como se cada nota fosse uma versão alternativa da vida. Como se aquela batida dissesse: “olha o que poderia ter sido.”
Notas de um amor que não teve beijo. De um toque que só viveu no pensamento. De palavras que nunca saíram da boca, mas ecoam até hoje no peito.
E a música entende. Ela não julga tua imaginação. Ela não cobra reciprocidade. Ela só toca — como se fosse tua aliada silenciosa, tua cúmplice de um sentimento que não cabe no mundo real.
É nessa música que você dança com o que não viveu. É nesse refrão que você abraça um alguém que só existe dentro de você. É nessa ponte que você atravessa os “e se” com os olhos marejados e o peito aberto.
E tem algo bonito nisso. Porque até o que não aconteceu… sente. Até o amor que ficou só no olhar… pulsa.
E cada vez que essa música toca, ele vive de novo. Mesmo que só por 3 minutos e 12 segundos.
É suficiente. Porque alguns amores não precisam acontecer. Eles só precisam existir dentro de uma canção.
— Gusmorelife
Este texto faz parte de Entre Acordes e Abismos: O Livro-Sonho — Seção 2: O Caos do Invisível.
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